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Doidas e santas

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Doidas e santas (2016)
roteiro e direção: Paulo Thiago
3 Stars

(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 27/08/2017)

 

O filme conta a história de Beatriz Lira, uma psicanalista de sucesso, terapeuta de casais, com vários livros publicados sobre o assunto, que se vê às voltas com uma crise no relacionamento com seu marido, Orlando (Marcelo Faria). Exemplo típico de “casa de ferreiro, espeto de pau”. Ela, que passa os dias no consultório, atendendo e ajudando casais, enfrenta essa crise conjugal que a faz repensar os rumos de sua vida. Além da crise conjugal, tem de lidar com a filha adolescente, Marina (Luana Maia), a mãe que passa a morar com ela, Elda (Nicette Bruno), a irmã ausente, Berenice (Georgiana Góes).

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Bingo: O Rei das Manhãs

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Bingo: O Rei das Manhãs (2017)
roteiro: Luiz Bolognesi
direção: Daniel Rezende
4 Stars

Atualmente, quando estreia algum filme nacional que é distribuído para o grande público, as pessoas geralmente denigrem o longa antes mesmo de assisti-lo – e, convenhamos, não por falta de más experiências. Bingo não deve ser um desses, pois ele entrega tudo o que se espera de um bom filme e ainda dá um grande passo para os longas feitos para o grande público.

Augusto Mendes é um ator mal sucedido que ganha trocados fazendo pontas em novelas e pornochanchadas. Em um teste para um papel em uma novela, ele acaba se tornando a escolha para ser o palhaço Bingo, que havia acabado de chegar à tv brasileira. Atingindo grande sucesso, ele precisa manter sua identidade em segredo ou perder tudo que havia conquistado.

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Daniel Rezende faz sua estreia na direção de um modo brilhante, incríveis transições de tempo e espaço, planos-sequência muito bem montados e uma mise-en-scène que faz parecer que os anos 80 estão logo atrás das portas. A fotografia do filme, vale mencionar, que é comandada por Lula Carvalho, é um show a parte. O tom amarelado e o jogo com a luz contra a câmera, fazendo com que a sombra fique na frente, torna cada cena sutilmente mais linda. A câmera lenta é usada muito bem, aparece pouco mas torna alguns momentos mais emocionais na medida certa. A trilha sonora do filme é bem composta, deixando certas cenas dramáticas sem aquela famosa trilha melancólica e aquecendo outras cenas com composições calmas porém provocantes.

Vladimir Brichta está em uma atuação surpreendente. Ele já costumava fazer alguns papeis onde seu personagem era um cara cômico, mas nunca com uma boa carga dramática. Bingo trouxe para Brichta um desafio, que ele sem dúvidas superou – um homem perturbado, engraçado e sem controle de si mesmo. Leandra Leal faz a chefe durona. Augusto Madeira é o melhor amigo e o segundo alívio cômico (já que Brichta tira boas risadas do público). A participação de Domingos Montagner é brilhante, considerando o fato de que começou sua carreira artística em um circo, e no longa ele se torna o tutor de Brichta.

A direção e a fotografia transformam o que seria mais uma história de fama que sobe a cabeça em um filme bonito, cativante e prazeroso de se assistir. O roteiro é bem escrito, com exceção de algumas falas muito expositivas e forçadas, que estão ali apenas para fazer com que o filme passe para a próxima situação, sem nenhuma fluidez. Enquanto algumas cenas têm poucos cortes e são compostas por travellings, outras tem cortes excessivos.

Bingo: O Rei das Manhãs é um grande passo para o cinema brasileiro e para as produtoras que querem fazer filmes dramáticos para um grande público. Um acerto e tanto, que abre novas possibilidades para os cineastas que queiram contar suas histórias.

#24 – Some like it hot

Some like it hot (1959) – Quanto mais quente melhor
roteiro: I.A.L. “Iz” Diamond, Billy Wilder
direção: Billy Wilder
★★★★★★★★★★ (8/10)

Chicago, 1929. Joe (Tony Curtis) e Jerry (Jack Lemmon) são músicos desempregados, que estão desesperados por trabalho. Eles acidentalmente testemunham o Massacre do Dia de São Valentim, assistindo o criminoso Spats Colombo (George Raft) e seu cúmplice aniquilarem Toothpick Charlie (George E. Stone) e sua gangue. Forçados a apressadamente deixarem a cidade, Joe e Jerry pegam o primeiro trabalho que podem arrumar: tocar na banda de garotas da Sweet Sue (Joan Shawlee) e suas Sincopadoras. Em trajes femininos, os dois se juntam ao resto da banda em um trem que vai para Miami, Flórida. Diante desta situação, Joe adota o nome de Josephine e Jerry torna-se Daphne. De repente eles vêem Sugar Kane (Marilyn Monroe), a vocalista da banda de Sweet Sue. Jerry se apaixona na hora, mas Joe o lembra que ele não pode se fazer notar. Porém, após chegarem a Miami, um milionário (Joe E. Brown) se apaixona por Daphne e Joe resolve se fazer passar por um milionário para tentar conquistar Sugar, tudo isto em meio à uma reunião dos Amigos da Ópera Italiana, uma convenção de criminosos que traz à cidade Spats Colombo e sua gangue.
(fonte: adorocinema.com)

Não sou muito fã de comédias. Mas, como em tudo na vida, há exceções. E Some like it hot é uma delas. A dupla de roteiristas é genial no que diz respeito ao ritmo tanto das cenas quanto dos diálogos. A premissa non sense – dois músicos se fazendo passar por mulheres – assume ares perfeitamente verossímeis pela direção de Wilder e extremamente divertidos com a atuação de Curtis e Lemmon.

Los amantes pasajeros

Los amantes pasajeros (2013) – Os amantes passageiros
roteiro e direção: Pedro Almodóvar
3.5 Stars

(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 03/10/2013)

Dentro de um avião fora de controle, um grupo de personagens excêntricos acredita estar vivendo suas últimas horas de vida. A partir dessa premissa, o espectador testemunha a volta de Almodóvar ao tipo de filme que o consagrou: a comédia. Desde Kika (1993) que o diretor havia deixado de lado esse estilo. E retorna a ele da forma mais escrachada possível. Mas, afinal, é Almodóvar, e de que outro modo ele o faria?

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