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"May I come in?"

Låt den rätte komma in (Let the Right One In) (2008) – Deixa ela entrar
roteiro: John Ajvide Lindqvist
direção: Tomas Alfredson

Let me in (2011) – Deixe-me entrar
roteiro: Matt Reeves, John Ajvide Lindqvist
direção: Matt Reeves

Antes de mais nada, gostaria de deixar claro que este post tem mais impressões de espectadora (e leitora) e menos observações técnicas sobre o filme.

Sei – e já afirmei isso em outros textos – que um filme baseado em livro deve bastar-se como obra e que, justamente por serem mídias diferentes, não se deve esperar que o filme seja ipsis literis o livro. É inevitável que ocorram perdas e que sejam feitas alterações na transcrição. Este post não é uma comparação livro versus filme, mas filme versus remake, analisando não qual deles é uma adaptacão mais fiel do livro e sim qual conseguiu manter a essência dele, o que a meu haver é o mais importante.

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The host

the host

The host (2013) – A hospedeira
roteiro e direção: Andrew Nicol


(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 29/03/2013)

Sinopse:
Melanie (Saoirse Ronan) e Jared (Max Irons) foram feitos um para o outro. Esta seria mais uma história de amor, se não fosse um detalhe: estamos no futuro, e a humanidade está quase extinta. A Terra foi invadida por alienígenas que controlam a mente e corpo dos humanos. Melanie e Jared são os últimos humanos que lutam para sobreviver. Até que Melanie é capturada pela Buscadora (Diane Kruger), que usará as lembranças de Melanie para localizar o esconderijo dos humanos. Para não revelar o esconderijo Melanie ocupa a sua mente com visões do homem que ama, desviando a atenção de Peregrina, que incapaz de se separar dos desejos de seu corpo, começa a se sentir intensamente atraída por Jared. A Hospedeira é baseado no best-seller de Stephenie Meyer.

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Cloud Atlas

cloud atlas

Cloud Atlas (2012) – A viagem
roteiro e direção: Tom Tykwer, Andy Wachowski, Lana Wachowski

Apesar de achar o título original muito mais bonito e sonoro – além de ser uma referência a um detalhe do filme -, o título nacional faz jus ao que é o filme: uma viagem, no seu sentido mais coloquial – sim, aquele que remete ao uso de alucinógenos. O trailer não tinha me instigado muito a ver o filme, já que foi vendido (erroneamente) como uma estória de amor entre os personagens de Halle Berry e Tom Hanks. Mas surgiu uma oportunidade de assisti-lo, e fui.

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The Hobbit

bilbo baggins

The Hobbit: An Unexpected Journey (2012)
– O Hobbit: Uma jornada inesperada
roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Fran Walsh, Guillermo del Toro
direção: Peter Jackson

A aventura de Bilbo Baggins é um prequel dos acontecimentos de O senhor dos anéis. Mas o diretor, intencionalmente ou não, fez parecer uma sequência, dando continuidade ao clima grandioso e épico dos eventos envolvendo a irmandade do anel. Na minha opinião, totalmente desnecessário e, pior, não condizente com a obra original.

the hobbit

O hobbit é genuinamente um livro infantil e parte dessa essência é perdida nesta transposição para o cinema. Algo que deveria ser abordado e vivenciado com uma legítima aventura – nos moldes de A ilha do tesouro, de Stevenson (na literatura) ou Os Goonies (no cinema) – pretenciosamente foi alçada ao patamar de uma quase epopeia.

Além disso, uma estória de pouco mais de 300 páginas, que certamente caberia com folga num filme de duas horas, foi esticada e preenchida com elementos supérfluos tão somente para suprir o desejo do diretor de dirigir mais uma trilogia.

O roteiro, ao contrário do universo do filme, chega a ser infantil pela sua repetição: o grupo viaja um pouco, Bilbo e os anões se metem em alguma encrenca, Gandalf aparece para salvar a pátria sempre no último instante – “e por que raios ele esperou tanto?”. Isso somado ao excesso de flashbacks, deixa o filme longo demais, arrastado demais, cansativo demais.

Se valeu a pena assistir? Valeu sim, e muito. Valeu por causa dos 48fps. A experiência cinematográfica é totalmente revolucionada. O hiper-realismo deixa o espectador com a impressão de estar assistindo aos eventos in loco, principalmente em cenas externas. A quantidade de detalhes visto na tela é inimaginável. Mas também evidencia os defeitos. Alguns efeitos digitais ficam muito mais perceptíveis. Uma grande vantagem é que o 3D fica muito melhor. Várias vezes durante o filme eu simplesmente esqueci que estava usando o óculos.

Não terminei de assistir ao filme tão ansiosa pelo próximo quanto ao assistir a A sociedade do anel, mas mesmo assim ansiosa para ver a evolução do uso dessa nova tecnologia.

“Go on. Shoot!”

The hunger games (2012) – Jogos vorazes
roteiro: Gary Ross, Billy Ray, Suzanne Collins
direção: Gary Ross

“Ufa! Tem mais gente que também não achou tão bom assim…”
A expressão de alívio é justificada já que é bastante incômodo ficar duvidando do nosso próprio discernimento. Fui assistir “Hunger games” e, por algum tempo, fiquei com aquela estranha sensação de estar remando contra a maré. Apesar de que quem estava assistindo comigo ter tido percepção semelhante à minha. Afinal, a grande maioria dos meus conhecidos, dos blogs e sites que acompanho estava elogiando o filme. Mas “a maioria” não são todos, e alguns deles corroboravam a minha opinião por motivos semelhantes aos que me incomodaram. Não é que eu tenha detestado, mas certamente eu não o recomendarei – apesar de recomendar o livro (post aqui).

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Precious

Precious (2009) – Preciosa
roteiro: Geoffrey Fletcher
direção: Lee Daniels

Filme baseado no livro Push, de Sapphire, que já comentei neste post. Como escrevi no post, ainda não assistira ao filme. Até tinha baixado via torrent, mas entre tantas outras coisas para assistir, acabava ficando para depois. Ontem, aproveitei que estava passando no TC Touch e remediei essa falta.

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Into Thin Air: Death on Everest

outside

Into Thin Air: Death on Everest (1997) – Morte no Everest
roteiro: Robert J. Avrech
direção: Robert Markowitz

Pensem em um livro que tenham lido e gostado mais do que o esperado. Agora imaginem descobrir que existe uma versão cinematográfica dele. Então, foi com esse grau de expectativa que apertei o play no Netflix para assistir ao filme.

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"Bombeiros, mamãe! Vai haver um incêndio…"

fahrenheit-451

meteorologia: sol e calor
pecado da gula: pizza
teor alcoolico: 2 original, 1 stella artois
audio: nerdcast #301
video: trailer john carter

Fahrenheit 451
Direção François Truffaut
Roteiro François Truffaut, Jean-Louis Richard

O filme já estava há algum tempo na minha lista para ser assistido. Sempre por um motivo ou outro, acabava ficando para depois. Mesmo por que eu tinha a intenção de ler antes o livro homônimo em que o filme se baseia, de Ray Bradbury. Há alguns meses, li um post falando sobre o livro – mea culpa, não consigo me recordar onde foi. Li e comentei com um amigo. Sobre o post, sobre o livro e sobre meu interesse ter sido aguçado depois da leitura do texto. Até que, casualmente, esse mesmo amigo adquiriu o livro e eu prontamente pedi-o emprestado. Nunca havia lido nada de Bradbury e foi uma grata surpresa o modo natural como seu texto flui e, consequentemente, a leitura também. Avidamente, “devorei” o livro em menos de uma semana – devem ter sido 3 ou 4 dias. Mas este texto é sobre o filme. Do livro, comenta-se em outro post.
(Aliás, é necessário destacar que este post foi escrito em parceria com o feliz proprietário do livro, Douglas Pereira).

Num futuro distópico, um governo totalitário proíbe ler e manter livros, sob o pretexto de que tornam as pessoas infelizes. Bombeiros, então desnecessários para contenção de incêndios, são os responsáveis pelo controle e incineração de qualquer exemplar impresso encontrado. Além de atear fogo aos livros, os bombeiros são também responsáveis por encontrar, perseguir e deter aqueles encontrados mantendo-os e lendo-os. Tal qual uma polícia “especial”, uma Gestapo bibliófoba.

A curiosidade acerca do título, obviamente, foi sanada logo no frontispício do livro. Fahrenheit 451 é a temperatura na qual o papel do livro pega fogo. No filme, essa explicação é dada pelo protagonista à outra personagem. (No livro, isso também ocorre. Mas quando ocorre, o leitor – se não pulou a página frontal – já está informado do que se trata.)

“Os livros alteram as pessoas. Tornam-nas anti-sociais.”
(Guy Montag)

Guy Montag (Oskar Werner), o protagonista, é um bombeiro. Casado com Linda (Julie Christie) – no livro, Mildred – , inicialmente parece bastante satisfeito com sua profissão e sua vida. Faz bem seu trabalho, está prestes a ser promovido. Leva uma vida simples e normal. Sua esposa passa boa parte do tempo em casa, imersa nos programas de tv, junto com a Família – alcunha dada aos personagens e apresentadores dos programas televisivos. Enfim, um lar de aparente felicidade, de cotidiano tranquilo, perfeito.

Porém, um encontro inesperado faz com que Montag passe a questionar sua própria motivação e a validade do seu ofício. A conversa com Clarisse, sua vizinha (Christie, também) tem um efeito catalisador e ele começa a sentir-se inquieto no cumprimento de seu dever. Inquieto e em dúvida. Esconde em casa alguns dos livros que deveria queimar. E já não consegue ter tanta certeza de que os preceitos que vem seguindo há anos sejam realmente o melhor para ele, para sua esposa, para a sociedade. Chega a hesitar numa das execuções. Tornando-se desse modo um pouco suspeito aos olhos de seus pares e de seu chefe. Linda, assim como as “amigas” que frequentam sua casa, e importando-se apenas com a Família da tv, não consegue lidar com a mudança de atitude de Montag. Alienada, pede-lhe até para escolher entre ela e os livros.

Numa referência clara ao final do livro (e do filme) os créditos iniciais, diferentemente do habitual, são narrados, não escritos. Sustentadas pela trilha sonora sempre eficiente de Bernard Hermman, as imagens introdutórias – antenas de tv – se sucedem de tal modo como se os créditos estivessem aparecendo escritos na tela. E a técnica é tão eficaz, que apenas reparei nesse detalhe quase ao final da introdução. Voltei o filme para me certificar e soltei aquela interjeição básica (e incontrolável) dos reles mortais ao se depararem com uma sacada de gênio numa obra – seja filme, livro, série de tv – : “Pqp!! Como ele teve essa ideia?!” Acredito que sua intenção tenha sido dar ao público o mesmo que é permitido aos personagens: imagens, mas não texto – o que é nitidamente percebido na cena em que Montag “lê” um jornal sem palavras, apenas imagens, como uma HQ sem diálogos. Submetendo o espectador à mesma proibição a que são submetidas os personagens, ele é imerso no universo narrativo desde o início.

A estória se passa numa época indeterminada, pois não há datas para situar o leitor/espectador. Ocorre num futuro distópico representado diferentemente no livro e no filme. Enquanto no primeiro, o ambiente é descrito como extremamente limpo e automatizado, o que dá a impressão de ser algo mais futurista, com mais branco e cromados, mais próximo do ambiente de “2001 – uma odisseia no espaço”; no segundo, o ambiente reflete a época em que o filme foi filmado. Cenário, figurino, penteados, equipamentos, tudo é bem datado, bem “sixties”. Talvez, a opção do diretor tenha sido por aproximar ainda mais o público que assistiria ao filme na década do seu lançamento. Seu intuito, possivelmente, fosse o de demonstrar que aquele futuro poderia não estar assim tão distante. Assistindo hoje, esse objetivo não é atingido. O ambiente remete a uma realidade alternativa e não a uma evolução da sociedade atual.

Porém, além dessa intenção por assim dizer “mais digna”, não se pode excluir a possibilidade de que não tenha sido uma “opção”, e que se deva a uma adaptação forçada à falta de dinheiro para produção de melhor qualidade e criatividade. Isso faz sentido quando se percebe o reaproveitamento de cenas (rodando ao contrário e depois repetindo no sentido certo) e outros detalhes de qualidade duvidosa que, mesmo para aquela época, já poderiam ter sido feitos se o orçamento fosse suficiente. “2001 uma odisséia no espaço” era da mesma época e tinha efeitos e ambientações muito superiores. Há cenas que, apesar da (aparente) viabilidade técnica, poderiam ter sido deixadas de lado ou feitas de outra forma. Os policiais em “trajes voadores”, por exemplo. O efeito de back projection deixou tudo simplesmente ridículo. Arranca risos, ao invés de causar tensão.

Mesmo não sendo um livro longo, alguns detalhes foram deixados de lado no filme. Provavelmente por impossibilidade técnica de execução (como Sabujo, o cão mecânico), ou por opção do roteirista e do diretor. Essas ausências não chegam a comprometer demais o sentido do filme. Apesar de eu ter sentido bastante a falta de Faber, personagem do livro que é uma espécie de mentor de Montag. Creio que seja a ausência mais significativa – e prejudicial – pois ele é quem dá o “golpe final” em Montag para trazer sua consciência à tona.

Outra diferença entre livro e filme é a cena de Montag na escola com Clarisse que foi inclusa certamente com o intuito de representar o trecho do livro em que Clarisse discorre sobre educação. Não atrapalha, parece apenas indicar que Truffaut importava-se mais com este assunto que Bradbury. Ainda sobre Clarisse, enquanto no livro ela é uma adolescente, em todo seu frescor e estouvamento; no filme, Truffaut optou por envelhecer a personagem. O que não funcionou muito bem, visto que a forma como ela aborda os assuntos ainda é típica de uma adolescente, fazendo a personagem parecer uma retardada e não uma pessoa com idéias diferentes. Além disso, o roteiro falha ao transpôr os diálogos entre eles. O “discurso” dela carece de força e não convence o público de que seria o suficiente para mudar a visão de um homem alienado como ele. Aliás, a falha na transcrição dos diálogos é generalizada, fazendo as falas parecerem artificiais e teatrais. Sobretudo quando o capitão dá o sermão final em Montag. Se ele estivesse embriagado, talvez fosse mais convincente.

No filme, Clarisse é uma professora, demitida por não concordar com os padrões educacionais vigentes. Possivelmente, a intenção era que Clarisse fosse mais que o gatilho na transformação de Montag. Que a sedução fosse não somente ideológica, mas sexual também. Creio que tenha sido esse o motivo que levou Truffaut a utilizar a mesma atriz para interpretar tanto Linda como Clarisse. Fisicamente semelhantes (cabelo e figurinos diferenciados) e, ao mesmo tempo tão diferentes. Uma, totalmente alheia e imersa no divertimento instantâneo oferecido pela Família. A outra, que sequer possui aparelho de tv em casa, resistente à cultura massificante difundida pelo governo. A semelhança física faz com que a diferença de atitude fique ainda mais evidente para Montag.

Porém, acredito que a maior diferença seja o destino de um dos personagens. No livro, não há o que pode ser chamado de final feliz, já que não sabemos o que realmente lhe ocorre. Enquanto que no filme, Truffaut resgata o personagem, creio eu – ou melhor, tenho quase certeza – com o intuito de preencher uma lacuna dramática que certamente deixaria a maioria dos espectadores decepcionados, ou mesmo descontentes.

Sobre o filme como um todo, há algumas curiosidades. Baseado num livro escrito por um norte-americano, Truffaut, francês, dirige seu único filme falado em inglês – idioma que ele não domina – numa nítida tentativa de ampliar o alcance da obra. Filmado em locações na Inglaterra, com atores falando com leve sotaque britânico. E cujo protagonista é representado por um ator alemão, que entrou na produção após a desistência de Paul Newman, às vésperas do início das filmagens.
(Spoiler à frente) No final do filme, quando Montag foge e conhece as pessoas-livro – pessoas que decoram determinada obra e “se tornam” a obra – uma delas é “As crônicas marcianas”, numa clara homenagem ao autor de “Fahrenheit 451”.

Enfim, é um filme bom, mas longe de ser uma obra-prima como o livro. Caso alguém me pergunte, indicaria a leitura do livro ao invés do filme. Certamente, a experiência é muito mais enriquecedora.

“Excellent!” I cried. “Elementary”. said he.

Sherlock (2011)
BBC

Assim como o colega do blog “Beco do crime”, @geniodocrime, também fui apresentada bem cedo a Sherlock Holmes, por volta de meus 12-13 anos de idade. Consumidora voraz de livros antes mesmo de aprender a ler, sempre gostei das chamadas “estórias de mistério”. Divertia-me muito exercitando minha lógica, na época num nível bem aquém do mínimo necessário, brincando de detetive com as aventuras dos livros. Sabendo de meu gosto por esse estilo de literatura, não demorou muito para a dona da livraria que eu frequentava quase semanalmente me indicasse a obra de Conan Doyle. Por sorte, o primeiro que li era realmente o primeiro publicado – “Um estudo em vermelho”, publicado originalmente pela primeira vez em 1887.

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127 hours

meteorologia: agora nublou de vez
pecado da gula: yakisoba
teor alcoolico: nada ainda
audio: radiofobia #60

127 hours, direção Danny Boyle, roteiro Danny Boyle & Simon Beaufoy

Boa atuação de James Franco, mas não o suficiente para me fazer achar o filme muito bom.

Excesso de sequências de delírio e divagações tiram o ritmo do filme e o uso indiscriminado de planos fora do comum e cortes também não ajudam. A justaposição de imagens de multidões no início e no final do filme parece não ter propósito, já que em momento algum o contraste entre a situação de Aron e essas cenas é realmente explorado e discutido.

Vale por testemunhar a determinação de Aron, mas é só.

Não é que seja ruim, apenas não é bom o bastante para sugerir que alguém assista. Na verdade, sugiro ler o livro “Between a rock and a hard place“, de Aron Ralston, o protagonista da estória. Pela quantidade maior de detalhes sobre as horas que passou preso, é interessante e bem mais assustador e, ainda assim, muito empolgante.

Recomendo. O livro, não o filme.