Blade Runner 2049

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Blade Runner 2049 (2017)
roteiro: Hampton Fancher, Michael Green
direção: Denis Villeneuve

Estamos vivendo na era dos remakes, reboots e sequências. Jurassic World, Star Wars, Indiana Jones e agora chegou talvez a mais arriscada sequência dos clássicos dos anos 70/80, Blade Runner 2049. Uma continuação para a ficção mais intelectual e filosófica feita na época foi entregue nas mãos de um dos melhores diretores atualmente. Mas a pergunta que não quer calar é: Deckard é um replicante?

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Blade Runner (1982) foi um daqueles filmes a frente do seu tempo que foi criticado em seu lançamento e não favorecido pelas bilheterias, mas com o passar dos anos críticos e público começaram a ver o longa com outros olhos, tornando-o um clássico de seu tempo.

Na história, o oficial Blade Runner da polícia de Los Angeles, conhecido por K, investiga um caso que trará à tona novos segredos e novas ameaças, fazendo com que ele vá à procura de Rick Deckard, um Blade Runner que desapareceu há trinta anos. A direção fica por conta de Denis Villeneuve, que dirigiu também Os Suspeitos, Homem Duplicado e A Chegada.

Uma das muitas vantagens que o filme tem é não se apoiar no primeiro. Lógicamente há referencias e personagens do primeiro longa que são importantes para a trama, mas não é nada parecido com o Universo Marvel, em que as pessoas precisem ver todos os outros filmes anteriores para conseguir entender a trama do atual. Os elementos de Blade Runner de 82 são inseridos sutilmente fazendo com que se entenda a situação com apenas alguns rápidos diálogos. Com o roteiro de Hampton Fancher e Michael Green, 2049 traz uma historia completamente nova e insesperada para o mundo de Deckard e ao mesmo tempo respeita o antigo.

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Denis Villeneuve traz para Blade Runner o seu estilo sem obstruir o sci-fi punk que o longa apresentou. Com seus lentos, constantes e belíssimos planos gerais / de estabelecimento Villeneuve mantém o mesmo clima do seu antecessor, devagar, mas não sem motivos. Em meio a tanto caos ocorrendo na trama, é bom ver a beleza que algumas imagens das cidades podem trazer para acalmar os ânimos. Além de seus impressionantes planos, o diretor não economizou nos incríveis raccords, transições que contribuem para o avanço da narrativa. Benjamin Wallfisch e Hans Zimmer comandam a trilha sonora, que por sinal é magistral, trazendo alguns elementos que lembram filmes como A chegada e a Trilogia Batman de Nolan, dando leves toques da trilha do primeiro filme.

Os personagens são muito bem escritos. Apesar de reprisar seu papel de Drive, Ryan Gosling tem uma boa performance e consegue carregar o peso de seu personagem. Harrison Ford faz o mesmo papel de O Despertar da Força só que de um modo mais pesado. Ele está muito mais amargurado neste filme do que em Star Wars. As personagens de Robin Wright, Dave Batista, Ana de Armas, Sylvia Hoeks e Jared Leto estão, apesar do pouco tempo de tela, muito bem desenvolvidos e igualmente bem em seus papeis.

Blade Runner 2049 é uma obra, mais que fiel ao original, que traz melhorias (em todos os sentidos) para o universo de Deckard, com destaque para os efeitos visuais (que têm um possível lugar no Oscar). Raros diálogos mal escritos e o longo tempo que o filme tem durante o decorrer da trama não atrapalham o espetáculo de cores, efeitos, e narrativa que o longa apresenta. Sem dúvidas, um dos melhores blockbusters do ano.

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