It: A Coisa

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It (2017) – It: A coisa
roteiro: Chase Palmer, Cary Fukunaga
direção: Andy Muschietti

 

 

Já faz algum tempo que os filmes de terror são produzidos com o objetivo claro de fazer dinheiro fácil sem ter muito trabalho ou se arriscar. A maioria desses filmes lançados são massacrados pela crítica, raros são os que entendem o gênero de terror e conseguem ter um bom resultado. It: A Coisa, é, com certeza, uma exceção.

A história se passa no ano de 1984, na pacata cidade de Derry, onde crianças começam a desaparecer misteriosamente. Bill (Jaeden Lieberher), cujo irmão também desapareceu, junta seu grupo de amigos intitiluado de Clube dos Perdedores, iniciando uma investigação que levará a uma assustadora aventura, trazendo à tona seus piores medos e, consequentemente, Pennywise, O Palhaço Dançarino (Bill Skarsgård). Andy Muschietti dirige este que é seu segundo longa. Ele mistura elementos de aventura, comédia e terror de um modo que o espectador não fique cansado ou entediado por alguns acontecimentos.

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Quem viveu nos anos 80 com certeza lembrará de Conta Comigo, Os Goonies e Clube dos Cinco, já quem é do século 21 vai relacionar diretamente com Stranger Things, até porque Finn Wolfhard (Mike, de Stranger Things) está no filme. A trilha sonora insere o público desde o início nos anos 80 e a trilha original de Benjamin Wallfisch encanta e assusta nos momentos certos.

O roteiro do filme é escrito por Cary Fukunaga, que traz uma história sobre amizade e desafios, nada muito complexo, apesar de tantas questões. O roteiro não se torna explicativo, pelo contrário, ele deixa muitas dúvidas para sua sequência (já confirmada). Os enquadramentos e a direção de arte deixam a adaptação ainda melhor; os personagens em primeiro plano enquanto algo aterrorizante está acontecendo discretamente ao fundo da tela; paleta de cores para os ambientes sombrios, como o esgoto e a casa de Beverly; enfim, tudo se encaixa perfeitamente no tipo de filme que It é.

Tudo está em perfeita sintonia. Quer dizer, tudo exceto os efeitos de computação gráfica. Por ser um filme de baixo orçamento, não há como ter os mesmos efeitos de Planeta dos Macacos, por exemplo. Mas já que a produção não tem orçamento suficiente para fazer bons efeitos visuais, por que fazê-los, afinal? Alguns momentos de jump scare são cortados brutalmente pela fraca computação gráfica, utilitário que poderia ser substituído facilmente por maquiagem e efeitos práticos. Uma lástima para um filme que tem um ótimo desempenho em todas as outras áreas.

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A força da mais nova adaptação dos livros de Stephen King são as crianças. A interação entre o elenco é impressionante. Jaeden Lieberher faz Bill, o líder não oficial cujo irmão está desaparecido. Ele tem uma boa atuação e entrega angéstia e desespero nos momentos em que lhe é exigido. Jeremy Rey Taylor, Chosen Jaycobs e Wyatt Oleff são os personagens menos desenvolvidos, tem seus momentos mas é tudo superficial. É compreensível, considerando que há sete crianças para serem apresentadas e desenvolvidas. Jack Dylan Grazer está no meio termo. Ele não é tao bem desenvolvido mas também não é esquecido no meio do caminho. Tem seu arco e tem seus momentos. Sophia Lillis faz a única menina do grupo e é a que tem a história mais forte. Sua atuação entrega o esperado e surpreende considerando que a atriz tem apenas 15 anos. Mas quem rouba a cena é Finn Wolfhard. Ele é o alívio cômico, seu timing é perfeito e suas piadas são sensacionais, uma melhor que a outra. Bill Starsgård impressiona como Pennywise. Suas aparições sempre carregam uma tensão e seu sorriso aterroriza em todo instante que aparece. Se não fosse pelos efeitos estragando sua atuação de 5 em 5 minutos, seria uma atuação ainda melhor.

It: A Coisa traz as velhas histórias de aventura juvenil dos anos 80, com um tom de terror na medida certa e alívios cômicos necessários. Está longe de ser o novo Invocação do Mal ou Corra!, mas é um bom filme para os amantes de King e de filmes de terror.

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