Doidas e santas

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Doidas e santas (2016)
roteiro e direção: Paulo Thiago
3 Stars

(resenha publicada originalmente no Vórtex Cultural, em 27/08/2017)

 

O filme conta a história de Beatriz Lira, uma psicanalista de sucesso, terapeuta de casais, com vários livros publicados sobre o assunto, que se vê às voltas com uma crise no relacionamento com seu marido, Orlando (Marcelo Faria). Exemplo típico de “casa de ferreiro, espeto de pau”. Ela, que passa os dias no consultório, atendendo e ajudando casais, enfrenta essa crise conjugal que a faz repensar os rumos de sua vida. Além da crise conjugal, tem de lidar com a filha adolescente, Marina (Luana Maia), a mãe que passa a morar com ela, Elda (Nicette Bruno), a irmã ausente, Berenice (Georgiana Góes).

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O livro em que se baseia o roteiro – best-seller homônimo de Martha Medeiros – é uma coletânea de 100 crônicas de Martha Medeiros publicadas em jornais, sites e livros. As crônicas abordam os mais variados assuntos – problemas da vida moderna, o trânsito, os relacionamentos, os perrengues cotidianos – tudo mixado às loucuras do universo feminino.

Não é simples adaptar uma coletânea de crônicas, deixando a narrativa coesa. O roteiro tenta concatenar todas essas historietas, fundindo personagens, a fim de criar uma linha narrativa unificada. Mas não é totalmente bem-sucedido. Na maior parte do tempo, o filme parece ser uma sucessão de esquetes encenados pelo mesmo conjunto de personagens. Em vários trechos, essa amarração consegue ser fluida, sem dar a impressão de que os causos “pertecem” a outras pessoas. Porém, em outros, a narrativa mais parece uma colcha de retalhos mal costurada.

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Algo bem evidente é o humor que permeia as cenas, algo herdado das crônicas da autora. O lado ridículo das situações, a preocupação excessiva, o “mimimi” desnecessário, tudo isso é explorado. Como uma das personagens afirma em certo momento, é necessário rir de si mesmo para deixar a vida mais leve.

Este é o primeiro filme de Maria Paula como protagonista. Percebe-se a falta de naturalidade em várias cenas. A presença de cena de Nicette Bruno faz com que ela pareça ainda menos à vontade. Até mesmo nas cenas com Luana Maia, a adolescente consegue ser muito mais convincente no seu papel. Mas não é algo que prejudique demais o filme.

O filme claramente não se pretende como um libelo feminista, mas consegue ser um retrato interessante das várias facetas do universo feminino. Por não se levar a sério demais, atinge o objetivo de entreter e fazer rir sem apelar para a comédia escrachada.

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